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Acender as Luzes

Meu Livro >> Capítulo Completo


Brasil, São Paulo, 10 de Fevereiro de 2011.

Abrindo os olhos na madrugada novamente, ele acendeu a luz de seu quarto e abriu uma gaveta empoeirada, não limpada há uma enormidade de tempo, pegando a folha em branco, como era de praxe, desabafou:

“São três da manhã, faltam-me palavras para descrever o que sinto em plena madrugada, pra tanto escrevo, pois há quem diga que tudo que alguém produz, permanece não só o feito, mas também a essência de quem a criou, não sei se há algum significado ou que seja apenas uma coincidência, pois é vamos ao ponto, o céu está estrelado essa magnificência é acompanhada de uma linda lua cheia. Podia estar melhor?”

Para ele breves palavras mudarão sua vida, pois ele tem talento para a escrita, o que fez surpreender-se com o que havia escrito, e então sobreveio na folha outro parágrafo:

“Bem, meu nome é Yan, Yan Lopes, pode-se dizer que todas essas palavras que compõe a folha, tornem-se uma espécie de diário, entretanto não me agrada tal nomeação. Sem objetivo algum nessas noites mal dormidas escreverei para registrar o que vivi.”

Perturbado Yan levantou-se da cama e se pôs a abrir a janela para uma breve apreciação da paisagem que havia descrito, foi quando caiu do céu uma gota, mas não de água, era algo ofuscante e brilhantemente magnífico, a tal gota caiu na palma de sua mão direita, após isso sua mão brilhou e esquentou de forma rápida e dela esvaiu algumas notas de uma música doce, o seu vai e vem em seu quarto provocou pequenos ruídos despertando sua mãe:

- Yan vai dormir você tem aula amanhã! O que está fazendo esta hora da noite? – Sua mãe proferiu estas palavras enquanto ele ouvia os passos dela se aproximando de seu quarto.

- Tive um pesadelo, daqui a pouco vou voltar a dormir. – Murmurou enquanto aproximava-se da porta.

Voltando a cama ficou cismado com o que acontecera observando sua mão.

Na realidade ele não teve pesadelo algum, mas quando Yan desperta na madrugada ele se sente inseguro e ansioso, o mesmo acontece quando ele se põe a cama. Ele usa tais palavras como uma camuflagem para não preocupá-la mais ainda com seus problemas.

Yan tem dezessete anos, enfim está no último ano escolar. Em suas consultas, a sua doutora Rosimeire Carvalho, sempre deixa boas reflexões a ele, na última semana ele recebeu um pensamento muito gratificante, sobre rotular-se, que basicamente significa que costumamos sempre nos julgar de forma impensada, esses atos tem consequências sérias.

Mesmo tendo ciência de tais ideias, ele dificilmente o faz, pois quando perguntam sobre ele, acostumou-se a dizer que tem síndrome do pânico, porque ele é e sempre foi ridicularizado pelas suas crises em público, seja na escola ou em outros lugares, esta é a razão de ele ainda não ter pregados os olhos.

Por outro lado, Yan trava intrigantes discussões com seu pai Antônio por ele ser cientista e não concordar com pesquisas que para ele eram absurdas.

- Pai, você insiste em pesquisar isto? Eu tenho a resposta pra tudo, foi Deus quem criou o universo. – Os olhos de Yan fitavam os de seu pai, enquanto ele seguia tecendo suas idéias.

- Não estou excluindo a idéia de que Deus criou tudo, mas se temos o livre arbítrio, talvez seja possível viajar no tempo. – Antônio pronunciava isto com um tom de voz esperançoso.

Neste momento Yan ficou pensativo, pois estava intrigado com as idéias de seu pai, no entanto, ele defendia outro pensamento, cujas muitas outras pessoas também, o ponto central disto era: “Não se pode interferir, naquilo que não nos é viável”. Após tanta indagação Yan revirou os olhos e foi pegar o seu café-da-manhã, pois já eram seis da manhã, nascera um novo dia, diga-se de passagem, muito lindo.

O pai de Yan tinha como características principais os olhos azuis e os lindos cabelos grisalhos, sua personalidade era forte, contrariando à do filho, cuja personalidade era frágil, mas em uma coisa os dois se igualavam, era a beleza, Yan tinha cachos macios e bem comportados, desta vez estava se preparando para o primeiro dia de aula, ele transbordava de felicidade, seus olhos castanhos brilhavam motivados pelo o fato de que em um futuro próximo veria a sua paixão Alice Meirelles. Entretanto neste presente momento estava impaciente revirando o seu quarto à procura de seus cadernos. Passado aproximadamente dez minutos ele finalmente tinha encontrado o seu material e colocou-os na mochila. Agora ele já tinha se dirigido para a fase das vestimentas, no qual pôs uma camiseta azul claro com gola em V e acompanhada de uma calça preta jeans.

Apressadamente deu um beijo em sua mãe e chamou aos gritos o seu amigo Lucas, no qual sem ter conhecimento do paradeiro de sua família abrigaram-no em sua casa. Ele era um menino de cabelo caramelo e de dentes incrivelmente brancos, sua principal característica eram os olhos escuros, cuja expressão era forte e impiedosa. Em resposta a Yan, os gritos de Lucas surpreenderam Nicolle, irmã dele, ela ficou gélida de susto e alertou a ignorância de Lucas.

- Você é idiota? Eu estava do seu lado, não precisa gritar o meu irmão não é surdo. – Nicolle reclamou de forma autoritária. A incrível ação não reprimiu Lucas.

- Que pena, ele já tem tantos defeitos, não iria fazer falta a ele. – Pronunciou sarcasticamente.

Ao ouvir isto Nicolle ignorou a atitude desprezível de Lucas e andou às pressas a caminho da escola, a calma só voltou a aparecer quando ela avistou a sua melhor amiga Fábia que a surpreendeu com seu entusiasmo.

- Amiga! Eu estava com tanta saudade – Os olhos de Fábia fitaram os de Nicolle analisando o seu estranho comportamento.

- Obrigada, eu também estava – A voz dela não transparecia isto.

Fábia franziu a testa.

- O que aconteceu? Você está pálida! – Murmurou estas palavras com evidente preocupação.

Nicolle colocou as mãos no bolso de sua blusa lilás, expressando insegurança.

- Desculpe, não quero falar sobre isso. – Disse com sinceridade

- Tudo bem então. – Os olhos castanhos de Fábia estreitaram-se.

Enquanto isto, após ouvir os comentários de Lucas, Yan escondeu a sua expressão depressiva engolindo saliva. Ele caminhou até a casa de Melissa Campos, a sua melhor amiga, ela era uma menina extremamente linda, dona de lindos cabelos lisos e ruivos, seus olhos cor de mel brilhavam em direção a Yan, cuja ação nunca vista por ele, Melissa estava com um vestido preto e comprido, sua sandália vermelha de salto alto expandia sua elegância, Yan estava surpreso com tanta beleza que distribuiu palavras doces num jato.

- Melissa! – ele respirou fundo – Você está muito linda.

- Obrigada. Você que está. – Melissa abriu um sorriso cintilante cheio de gratidão.

O caminho a escola foi silencioso, com pequenos olhares penetrantes de Melissa admirando a sua paixão, ações sem a percepção dele, pois estava extremamente pensativo, ela percebeu a dura expressão dele recordando-se dos problemas de seu amado, foi então que ela tentou animá-lo.

- Yan anime-se você está prestes a ver a Alice, esqueceu? – Ela disse estas palavras com muita dificuldade, embora transparecesse o contrário.

- Desculpe, estou desesperançado quanto a isso, porque não é correspondido.

Ela virou o rosto e deu um sorriso, cuidando para que ele não visse tal atitude.

- Não esquenta, você vai encontrar alguém que te dê valor.

Ele baixou a cabeça.

- Será? – Sua decepção era expressa em cada palavra dita.

Melissa suspirou.

- É claro… – Hesitou, cuidando para não dizer nada contraditório-… Todos têm a sua alma gêmea.

- É mesmo você está certa. – Yan deu um sorriso e revirou os olhos.

O silêncio perdurou.

Neste momento eles estavam a meio metro de adentrar a escola, Yan e Melissa seguiram para sala, logo depois de escolherem os lugares os dois olharam-se por sobre o ombro, após isso ficaram constrangidos e deram um pequeno sorriso.

Yan já sentira borboletas no estômago só de saber que Alice estara este ano em sua sala, ele escolheu um bom lugar, bem… Para ele qualquer lugar seria bom desde que tivesse uma boa visão para que pudesse contemplar a beleza de sua amada, ela era uma garota incrivelmente linda, desejada por muitos, era extrovertida, e não deixava de perceber que estava sendo admirada, ela remexia os seus cachos negros, e os seus lindos olhos verdes observavam atenciosamente a possível chegada de um professor.

A escola era composta exteriormente de um azul, um azul celeste e magnífico, e interiormente era decorada com um lindo branco vivente, organizada e muito linda, as portas das salas de aula revestidas de marfim deixavam claro que esta escola era indiscutivelmente linda sim.

- Bom dia! – Um sussurro percebido por poucos saíra da boca da professora.

Andou tranquilamente a sua mesa, nela colocou os seus pertences.

- Olá meu nome é Iliana! Minha matéria é física. – Murmurou ela.

Logo após a apresentação da professora, era possível ouvir claramente os cochichos dos alunos que diziam: “Física? Nossa não gosto de Física” ou até mesmo “O nome dela é diferente! Nunca vi um nome assim”. Tendo ciência de tais comentários a professora sorriu e pensou: – Vocês vão se acostumar, não só com a matéria, mas também com o meu nome. – A sala silenciou-se, esperando as próximas palavras a ser proferidas por ela, agora ela estava no comando, o objetivo era cativar os alunos.

- Eu não os conheço ainda, então um por um digam os seus nomes. – Ela sorriu e colocou uma mecha de seu cabelo castanho detrás da orelha.

Iliana era privilegiada por ter uma aparência muito linda, seus olhos eram penetrantes e curiosos, seus lábios eram finos, porém, hipnotizantes, estava com uma blusa amarela e nela estava escrito: ”I Love You”. Todos disseram seus nomes sem problema algum, Yan estava pouco se importando com a aula, ele continuava enfeitiçado pela feição da Alice. Ela se levantou e fez uma pergunta à professora:

- Professora… – As palavras fugiam -… Qual é o seu modo de avaliação? – Perguntou retornando-se ao seu devido lugar.

- Eu procuro avaliar os meus alunos de uma forma diferente. Não agendo provas ou trabalhos, pelo contrário, todo tipo de atividade avaliativa será oralmente. Irei passar textos em lousa raramente, somente quando for necessário. – Proferiu estas palavras pacificamente e analisando o comportamento de seus alunos, colocou as mãos lisas e hidratadas no bolso e caminhou até a porta da sala para atender uma ligação que recebera.

Todos estavam se interrogando de ser qual motivo de ligarem tão cedo, após as indagações todos ficaram surpresos quando professora correu dizendo:

- Existe uma bomba relógio dentro da escola! – O seu tom de voz alto e apavorado era preocupante.

Yan rapidamente se levantou da cadeira, e proferiu palavras rápidas.

- Vamos fugir! Rápido!

A professora correspondeu rapidamente.

- Não temos muito tempo! Não podemos nos esconder e nem se deslocar pela escola.

- O que fazemos então professora? – Yan estava desesperado, o suor já escorria pelo seu rosto, suas pernas estavam bambas, e ele já estava trêmulo.

- Eu realmente não sei! Como disse, não temos tempo. – a professora estava depressiva meio que esperando a morte.

Yan estava em pânico, as lágrimas já caiam, no qual fora enxugadas por Alice que veio ao seu encontro, sentindo-se honrado ele agradeceu aos prantos e sentou-se na cadeira, foi assim, lançando um olhar de desespero a todos que o viam em uma lamentável situação e deixando todos preocupados, a preocupação aumentou quando a mão de Yan começou a arder muito, estava extremamente vermelha, e ele gritava de dor.

Ele sabia que aquilo não era pânico e não tinha ideia ou explicação para o que acontecera, o inexplicável sofrimento piorou quando em vez de ajudá-lo, Iliana olhou-o e ficou sorrindo. – Então você foi escolhido! Era de se esperar, Yan você é uma pessoa muito especial para Deus. – Pensou Iliana, ela correu porta afora dizendo que chamaria um médico, mas ela não o fez.

No tempo em que Yan voltou os olhos para a sua mão, surpreendeu-se ao avistar uma espécie de relógio, objeto no qual se formava com o sangue dele, o grande susto o fez formigar, tremer e o seu coração palpitar, em consequência o relógio foi ativado, e os ponteiros giraram para trás, ele estava caindo em desmaio enquanto Alice e os outros amigos chamavam pelo seu nome.

Ao passo que o tempo se distorcia, o chão tremia, as janelas rachavam, todos em que estavam na sala haviam sumido, somente Iliana, Lucas, Alice e Yan permaneciam no meio deste desastre, em toda história nunca houve terremoto tão grande.

Após a catástrofe houve silêncio, e enquanto Yan despertava, percebeu que as marcas tinham sumido, foi então que ele levantou de forma desesperadora e gritou – Não.

- O que foi Yan? Está maluco? – Ele ouvia as vozes de um modo distante enquanto a professora estava revelando o seu modo de avaliação.

- O que aconteceu com a bomba? – Yan estava interrogando o seu amigo de classe, e enquanto isso ele percebeu também que Alice não estava junto a ele.

- Que bomba? Eu disse que está maluco! Você estava desmaiado aí no chão.

Yan estreitou os olhos, cismado com sua mão. Contrariando segundos atrás, sua mão já não doía mais, “Esse negócio de pânico está me deixando esquizofrênico” Pensou ironicamente, entretanto lembrou-se do que acontecera na madrugada, procurando relacionar aquele fenômeno com a pequena viagem temporal que acabara de fazer.

Foi quando ele percebeu que se for verdade que ele voltou no tempo, então a professora receberia a ligação novamente, dando o aviso tenebroso.

O telefone tocou outra vez, felizmente era só um comunicado familiar, a professora voltou à sala perguntando se alguém teria alguma sugestão de aula, podia ser de quaisquer assuntos, afinal era o primeiro dia do ano letivo e Iliana se propôs a isso.

Em virtude disto, Lucas levantou-se e sugeriu:

- Professora, que tal falarmos sobre lendas? – Após perguntar isso, Lucas olhou para Yan feliz por ele ter se acalmado.

- Ótima sugestão, Lucas. – Concluiu a professora. – Vocês já ouviram falar das Relíquias da Origem? – ponderou ela.

A sala foi coberta por um silêncio extremamente prazeroso, não eram ouvidos nem sequer um cochicho e obviamente a professora entendeu isso como um não e continuou:

- As Relíquias da Origem são elementos cósmicos que vagam pelo universo, deixados por Deus no dia da criação, quem quer que fosse atingido por algumas dessas essências… – Empolgada Melissa a interrompeu. – Elas morreriam não é? – Iliana suspirou e sentou-se em sua cadeira – Não, claro que não, Deus não deixaria algo assassino vagando pelo universo.

- É mesmo professora, desculpe por interrompê-la – Melissa balançou os seus brincos prateados e olhou para Yan.

Presenciando tais cenas, Yan recostou-se na cadeira relaxado.

A professora prosseguiu:

- Quem fosse atingido por isso, receberia um dom.

Impressionado com as histórias Yan a indagou:

- Que tipo de dom? – Yan olhou para Alice e fez um gesto para ela, mandando beijo, disfarçadamente Melissa se roeu de ciúmes.

A professora viu a atitude de Yan e pensou – Que lindo – Foi até a porta da sala e continuou com a história que fascinava os alunos.

- Há três dons conhecidos, que são: Amor, Sabedoria e Vida, há quem diga que existem sete dons, no entanto são desconhecidos.

Soou o sinal, infelizmente acabara a aula, as outras aulas foram as mesmices de sempre: Textos e mais textos, coisa que Yan odiava.

No caminho de volta, a mente de Yan tornou-se uma máquina de pensamentos: ”Aquilo foi real?”; “As Relíquias da Origem existem?”; “Por que a professora sorriu quando me viu desmaiando?”. Para expulsar os pensamentos que lhe intrigava ele persuadia a si mesmo dizendo não. Mas de uma coisa ele tinha certeza: ele pode viajar no tempo de alguma forma, todavia, para ativar o relógio ele deveria sentir emoções fortes, entretanto o problema é que a viagem temporal dura apenas alguns segundos, e a direção é imprevisível, para o passado ou para o futuro, como controlar este imenso poder?

Os pensamentos o fez tropeçar e cair no meio da rua, todos gozaram dele, mas ele simplesmente ignorou:

- Yan! Espere! – Melissa o chamava. – Vamos pra casa juntos!

- Tudo bem, Melissa.

Enquanto ela respirava ofegante por causa da corrida Yan perguntou:

- Melissa… – Houve receio – Bem, eu te conto muitas coisas e você sabe que gosto da Alice, mas eu nunca soube se você é apaixonada por alguém, de quem você gosta?

Ela gelou e virou o rosto.

Era verdade que ela nunca comentara com ele sobre paixões, o motivo é que se comentasse com ele sobre apaixonar-se, ela se declararia impulsivamente, e foi o que aconteceu.

- Desculpe Yan, é que… – Hesitou, procurando as palavras corretas – Eu nunca comentei com você sobre isso por que… Porque eu sou apaixonada por você! Eu te amo! – Ela surpreendeu-se com sua convicção e neste momento o alívio reinou sobre ela.

O coração de Yan deu muitos pulos, e o relógio ameaçou ativar. Foi então que ele entendeu que o relógio só é ativado quando ele sente medo, em outras palavras, uma emoção negativa, encabulado ele disse:

- Melissa! Eu não sei o que dizer.

- Não precisa dizer nada Yan – Ela colocou seus dedos delicados sobre os lábios dele – Quero você ao meu lado para sempre! – Melissa o beijou delicadamente e ele não resistiu.

Surpreendido ele não hesitou em dizer: – Nossa você acabou de roubar meu coração.

Ela sentiu calafrios e suas pernas tremiam de pura emoção. Ela se entregou e disse:

- E você roubou o meu há muito tempo.

Extremamente lisonjeado Yan a beijou.

Pregando um susto nos dois, Lucas apareceu de forma irreconhecível:

- Que lindo! – Ele disse furioso e sarcástico.

- Olá Lucas. – Murmurou feliz por vê-lo.

Lucas deu um sorriso torto e deu um chute forte no peito de Yan, jogando-o na calçada.

- O que deu em você? Seu idiota! – disse Yan furioso levantando um forte soco no rosto de Lucas arremessando-o sobre uma pirâmide de areia que ali estava.

Lucas ofegou.

- Desculpe-me Yan – Novamente irreconhecível ele correu aos prantos.

Pasmo, Yan pediu um abraço forte a Melissa e ela correspondeu de forma confortante, ele voltou de braços dados com ela, chegando a casa Yan almoçou e adormeceu em frente à TV, ele não imaginava o que lhe esperava nos sonhos.

* * *

Em seu sonho Yan encontrava-se em um lugar que nunca teria imaginado, um lugar esplêndido, já não estava com as mesmas roupas que fora pra escola, agora ele estava com vestes brancas e resplandecentes, ao seu lado estava um banquete, o seu olfato captava um cheiro delicioso, era uma comida que nunca tinha visto na vida, quando provou do alimento ele flutuou e gritou – O que está acontecendo? – Quando seus pés tocaram o chão novamente, ele olhou ao seu redor uma paisagem incrível e inacreditável.

Ele estava no paraíso, havia uma ponte no qual levara a um trono, que Yan acreditava ser de Deus, abaixo do plano vivo que estava localizava-se a imensidão do espaço, vira todos os planetas como se fossem uma gota d’água que cai sobre um rio, ao andar para mais perto do trono avistara o planeta terra, um globo azul extremamente lindo, assustado e impressionado ele quase caíra na imensidão, todavia, uma força desconhecida o trouxe de volta ao meio da ponte. Com extrema dificuldade, com as pernas trêmulas e com os olhos cheios de lágrimas dava passos lentos, um de cada vez, ao passo que se aproximava a segurança aumentava, entretanto uma rachadura na ponte o surpreendeu, os destroços da brilhante ponte caíram na imensidão negra e com um grande e corajoso pulo ele adentrou o lugar onde se encontrava o trono.

- Bem vindo Yan – Fez se ouvir uma voz serena e passiva.

- Quem é você? Por causa do teu brilho não consigo ver o seu rosto. – Interrogou curiosamente.

- Eu sou o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, eu brilharei e reinarei por todos os séculos do séculos – O ser luminoso apresentou-se sorrindo e autoritariamente.

- Deus? – Murmurou Yan boquiaberto – Mas como…

- Filho, acalme-se – Disse aproximando-se para lhe dar um abraço.

- Onde estou? Por que estou aqui? – Disse assustado.

- Não tenhas medo, sou o seu Deus, você está em um sonho, um sonho real, esta é a minha morada, acima das nuvens e de todo o universo, morarás aqui, como todos os justos pela eternidade – Explicou amorosamente.

Yan não conseguiu dizer mais nada, e para romper o silêncio ele simplesmente agradeceu lembrando-se das Relíquias da Origem, mas teve receio em perguntar.

Obviamente Deus onisciente disse:

- Filho, pode me perguntar o que quiser, esqueça isso, você entenderá o objetivo destes dons com as suas experiências em vida.

Foi então que Yan sussurrou com claro e bom humor:

- Nossa, tinha esquecido, você sabe os meus pensamentos. – Deu uma pequena gargalhada e Deus o acompanhou.

Agora era possível ver o trono de Deus, ao lado da poltrona celestial existiam tochas de fogo vivo e acima se esvaíam relâmpagos e trovões, olhando mais a frente Yan vira o sol, a estrela maior, a magnífica bola de fogo, o brilho não era nada comparado ao de Deus, mas também era uma experiência de tirar o fôlego.

- Yan, não se esqueça – Pausou apreciando suas criações – Eu te amo – Deus tocava-o delicadamente deixando visíveis a cicatrizes de Jesus em sua mão.

- Eu sei – Ele riu – Fica fácil saber só de olhar para as suas mãos – Yan olhou para trás, procurando o lugar que era descrito na bíblia com ruas de ouro e água cristalina.

Tendo ciência deste pensamento Deus explicou:

- Este lugar que estás pensando, fica logo antes da ponte que agora a pouco atravessara apesar de não poder ver, só após o julgamento irei te mostrar, pois você morará lá como eu disse antes, e outra, um lugar como esse, inimaginável e indescritível pode lhe causar um impacto muito grande, porque este lugar é de natureza espiritual e celestial.

- Ah, agora entendi – concluiu satisfeito com as explicações

E Ele continuou:

- Só lhe mostrei este altar, porque quero que você entenda pelo menos um pouco o amor que tenho por você e pelos os seus iguais. – Novamente amoroso explicou-lhe.

Escorreram-se lágrimas de emoção pelo rosto de Yan.

- Você sabe que este amor ágape, para nós humanos é incompreensível, mas podemos ter uma pequenina noção.

Deus sorriu orgulhoso pelas palavras de seu filho. Yan despertou sem quaisquer memórias sobre as Relíquias, pela falta de experiência de vida a lembrança dos dons só voltará após 10 anos, ele estava extremamente feliz pelo sonho mais real que tivera, empolgado procurou por Lucas, mas não o encontrou, e soube de uma notícia inesperada, cuja era de que Lucas havia sumido.

* * *

Sentindo-se desprezado, abandonado e desvalorizado Lucas correra para a floresta, não era uma floresta nada comum, ela era coberta pelos vestígios da origem, as dádivas reluziam por dentro das gigantes árvores, ali é onde se localizavam as relíquias desconhecidas, de poderes inimagináveis, e sem pensar em nada, Lucas não se recordara dos rumores, as lembranças somente vieram à tona quando ele atingiu o coração da floresta, o Paraíso Negro, de beleza e perigo espantoso, um lugar habitado por cobras e leões.

As lágrimas escorriam pelo seu rosto, Lucas sentia uma solidão terrível, ora formada a fogueira, Lucas fora surpreendido pelos temíveis predadores, havia dez cobras e dezessete leões, em meio ao crepúsculo a esperança pela vida se apagou.

O que fazer? Uma pergunta irrespondível, pelo menos para ele, pois o desespero subiu a cabeça, até que a pergunta recebeu uma resposta, aparecera um homem robusto e cheio de ódio, todo corpo estava coberto por uma vestimenta negra, tal como as roupas árabes, com as mãos chamuscadas e cobertas de fogo, o homem destruíra todos os 27 animais com um só golpe, queimando-os inteiramente.

O homem subitamente entregou-lhe um papel, no qual tinha como título: “A Profecia”. Semicerrando os olhos em meio à escuridão, Lucas fazia um tremendo esforço para enxergar e poder ler a carta, todavia, o homem estendeu-lhe as mãos cobertas de fogo como uma fonte de luz para a leitura, deixando vacilar um pequeno sorriso pelo gesto, ele não esperava isso de um homem tão rude e violento, ficaram visíveis as letras ele pôde ler facilmente, sobre o papel sujo e manchado estava escrito:

“Enquanto estiver vivo, passará pelo fogo, o escolhido terá de vencer todas as provações para poder receber a recompensa merecida, mas não pára por aí, a guerra ainda há de começar”

Terminada a leitura, ele olhou para o homem obscuro, o seu olhar de desespero foi surpreendido pelo golpe que o sombrio acabara de lhe dar, desferindo um soco estupendo, o homem arremessou-lhe sobre os galhos pontudos das árvores que obviamente ali estava próxima.

Impulsionado pela fúria Lucas sustentou-se em um forte e espesso galho e com força admirável esticou o pé com o intuito de acertar-lhe a cabeça, o sombrio desviara, tomado pelo desespero Lucas se lembrara de seu canivete que guardava em seu bolso, soltou as mãos do galho se pondo ao chão, desviando-se quase perfeitamente do golpe do homem obscuro, infelizmente o fogo o queimara de leve e o homem revelou a tal infelicidade:

- Eu o controlava superficialmente, mas agora que te acertei com o fogo, tenho controle total sobre sua mente. – Vociferou sarcástico, o ódio e o sarcasmo extremo consequentemente assustou Lucas.

Incrédulo, Lucas atingiu o pescoço do homem, mesmo trêmulo e com medo Lucas o acertara eficientemente, perfurando e espirrando sangue, o homem tirou a toca que lhe cobria o rosto. – Perdão, Filho – Espatifando-se no chão, o homem sombrio revelara sua identidade.

- Filho? – Disse estranhando a fala do homem – Pai é você? – Reconhecendo-o foi ao seu encontro comovido.

- Perdão… – Pausou arrancando o canivete, flexionado pela queda. – Agora não há mais o que fazer, eu o atingi com as relíquias negativas, Perdão.

- Perdão, digo eu por ter te atacado… – Observou ao seu redor as dádivas reluzentes – Mas o que são estas relíquias negativas?

- Ah, elas são sobras, além das positivas que são: Vida, Tempo, Amor, Sabedoria, Água, Fogo e terra, existem as negativas Ódio e Vingança.

Lucas empolgou-se.

- Minha professora contou sobre essas relíquias, mas eu achei que fossem só histórias.

- Iliana não é? – arriscou uma dedução.

- Sim você a conhece?

- Nossa há muito tempo, eu presenciei o dia que ela recebeu o dom da sabedoria, aliás, você sabe quem é o dono da relíquia do tempo? – Uma tosse rompeu o silêncio deixado pela pergunta.

- Que incrível Iliana tem mesmo algo diferente. – Parou e lembrou da pergunta que seu pai fizera – Relíquia do tempo?

Imediatamente Lucas foi tomado pelas memórias do mundo em que havia uma bomba na escola. Novamente seu pai o surpreendeu:

- Você sabe por que vieram tais memórias? – Interrogou assustando-o.

- Mas como você sabe disso?

Tossindo sem parar, o pai de Lucas, Anderson expirou, ele estava morto.

O que chamamos de impossível acontecera, sobre a mão direita e o peito de Lucas caíram gotas, com as mesmas características das que Yan recebera, sem dor alguma nasceu chamas de fogo sobre os locais atingidos, estranhando o acontecimento Lucas tocou o peito de seu pai com as mãos cobertas de fogo, um milagre aconteceu, Anderson Fontanelli revivera sussurrando – Obrigado, filho.

Houve um lindo e comovente abraço.

Lucas quis retomar a conversa.

- Não entendi, que memórias são essas? Eu não me lembro destes acontecimentos!

- Por isso… – Suspirou levantando-se – Yan dono da relíquia do tempo…

- O Yan? Nossa! – Interrompeu ele.

- Viajou no tempo – Continuou – acidentalmente porque no antigo mundo original, Iliana disse à sala que tinha uma bomba relógio na escola, a viagem é ativada quando ele sente medo – As palavras despertaram extrema curiosidade em Lucas, Anderson coçou o nariz.

- Como você sabe de tudo isso?

- Sou um portador de relíquia, nós compartilhamos estes conhecimentos – Disse atenciosamente.

- Então quando o Yan fizer outra viagem eu saberei? Mesmo sendo em outro mundo?

- Isso mesmo, você é um escolhido, recebeu o dom da vida, você me ressuscitou! E também porque naquele mundo vocês morreram! Consequentemente aquele mundo sumiu, unificando somente esse.

Anderson ficou de pé apontando a saída da floresta para seu filho.

- Entendi, quer dizer que mudanças no decurso do tempo criam outros mundos?

- Sim, mas naqueles mundos o outro eu só são bonecos, por isso sumiu, o mundo original, é o que estamos aqui agora, com a alma unificada ao corpo, a escolha que você faz torna-se única, e o mundo em que você fez outra escolha simplesmente some.

Sem perceberem Anderson e Lucas já atravessavam a saída da floresta, Anderson pegou uma caneta esferográfica e começou a escrever algo, serviu como camuflagem para a chegada de uma pessoa…

Era Yan Lopes, O Menino do Tempo, ele estranhara a companhia de Lucas, mas ao ver que Anderson se afastava cada vez mais, ele simplesmente dirigiu-se a Lucas.

- Lucas! Que alívio, faz três horas que estou te procurando – Murmurou evidentemente preocupado.

- Desculpe amigo, eu me perdi na floresta – Incitou deixa escapar um pequeno sorriso sem jeito.

- Nossa, claro você não sabe dos rumores desta floresta? Tem assassinos aí! – Logo depois que Yan revelou isto, Lucas olhou logo atrás para Anderson e com um simples olhar interrogava-o se era verdade.

E sim, era verdade.

- Ei! – Sibilou Yan e imediatamente Lucas virou-se para ele – Quem é esse homem? – Sussurrou abaixando drasticamente o tom da voz.

- Sei lá, ele me seguiu até a saída!

- E porque ele está voltando para a floresta?

- Ah, ele deve ser um daqueles esquizofrênicos – Obviamente tal insulto não era sincero, era, portanto, seu pai.

Enquanto gargalhavam, Anderson jogou o papel perto do pé de Lucas, felizmente Yan não percebeu, rapidamente Lucas colocou-o no bolso e juntos caminharam a casa, chegando ao lar foram vítimas de reclamações da mãe de Yan, Salete, por causa do horário de chegada, Yan foi banhar-se e Lucas caminhou ao quarto – Acelerando o passo – Trancou a porta rapidamente, pegou o papel em seu bolso e se pôs a leitura:

“Não comente nada sobre a conversa com Yan, nem mencione nada sobre dons, lembra que eu te controlava? Eu te contei, então estou me sentindo culpado, porque eu te atingi com o fogo, a chama dotada das relíquias negativas, você tinha atitudes impensadas, antigamente eu só te controlava pela ligação de sangue, as essências negativas foram passadas a você, agora tenha cuidado, sem sua percepção fará coisas horrendas.”

Lucas lembrou-se rapidamente, assustado guardou o papel em sua gaveta – Suas mãos tremiam, e seus pensamentos eram um tanto quanto fluentes – Apagou a luz e deixara a porta entreaberta, pegou sua toalha vermelha no cesto de roupas, e esperava Yan terminar o banho, para enfim fazer o mesmo.

Passara das dez e meia da noite quando eles terminaram os afazeres, beberam um chocolate quente e se colocaram a cama, Yan revirou-se na cama, adormeceu, mas acordava em meio à noite fria, de tanto insistir e se remexer na cama, ele dormira para um novo encontro com Deus nos sonhos.



Acender as Luzes


Meu Livro >> Capítulo Completo

Brasil, São Paulo, 10 de Fevereiro de 2011.

Abrindo os olhos na madrugada novamente, ele acendeu a luz de seu quarto e abriu uma gaveta empoeirada, não limpada há uma enormidade de tempo, pegando a folha em branco, como era de praxe, desabafou:

“São três da manhã, faltam-me palavras para descrever o que sinto em plena madrugada, pra tanto escrevo, pois há quem diga que tudo que alguém produz, permanece não só o feito, mas também a essência de quem a criou, não sei se há algum significado ou que seja apenas uma coincidência, pois é vamos ao ponto, o céu está estrelado essa magnificência é acompanhada de uma linda lua cheia. Podia estar melhor?”

Para ele breves palavras mudarão sua vida, pois ele tem talento para a escrita, o que fez surpreender-se com o que havia escrito, e então sobreveio na folha outro parágrafo:

“Bem, meu nome é Yan, Yan Lopes, pode-se dizer que todas essas palavras que compõe a folha, tornem-se uma espécie de diário, entretanto não me agrada tal nomeação. Sem objetivo algum nessas noites mal dormidas escreverei para registrar o que vivi.”

Perturbado Yan levantou-se da cama e se pôs a abrir a janela para uma breve apreciação da paisagem que havia descrito, foi quando caiu do céu uma gota, mas não de água, era algo ofuscante e brilhantemente magnífico, a tal gota caiu na palma de sua mão direita, após isso sua mão brilhou e esquentou de forma rápida e dela esvaiu algumas notas de uma música doce, o seu vai e vem em seu quarto provocou pequenos ruídos despertando sua mãe:

- Yan vai dormir você tem aula amanhã! O que está fazendo esta hora da noite? – Sua mãe proferiu estas palavras enquanto ele ouvia os passos dela se aproximando de seu quarto.

- Tive um pesadelo, daqui a pouco vou voltar a dormir. – Murmurou enquanto aproximava-se da porta.

Voltando a cama ficou cismado com o que acontecera observando sua mão.

Na realidade ele não teve pesadelo algum, mas quando Yan desperta na madrugada ele se sente inseguro e ansioso, o mesmo acontece quando ele se põe a cama. Ele usa tais palavras como uma camuflagem para não preocupá-la mais ainda com seus problemas.

Yan tem dezessete anos, enfim está no último ano escolar. Em suas consultas, a sua doutora Rosimeire Carvalho, sempre deixa boas reflexões a ele, na última semana ele recebeu um pensamento muito gratificante, sobre rotular-se, que basicamente significa que costumamos sempre nos julgar de forma impensada, esses atos tem consequências sérias.

Mesmo tendo ciência de tais ideias, ele dificilmente o faz, pois quando perguntam sobre ele, acostumou-se a dizer que tem síndrome do pânico, porque ele é e sempre foi ridicularizado pelas suas crises em público, seja na escola ou em outros lugares, esta é a razão de ele ainda não ter pregados os olhos.

Por outro lado, Yan trava intrigantes discussões com seu pai Antônio por ele ser cientista e não concordar com pesquisas que para ele eram absurdas.

- Pai, você insiste em pesquisar isto? Eu tenho a resposta pra tudo, foi Deus quem criou o universo. – Os olhos de Yan fitavam os de seu pai, enquanto ele seguia tecendo suas idéias.

- Não estou excluindo a idéia de que Deus criou tudo, mas se temos o livre arbítrio, talvez seja possível viajar no tempo. – Antônio pronunciava isto com um tom de voz esperançoso.

Neste momento Yan ficou pensativo, pois estava intrigado com as idéias de seu pai, no entanto, ele defendia outro pensamento, cujas muitas outras pessoas também, o ponto central disto era: “Não se pode interferir, naquilo que não nos é viável”. Após tanta indagação Yan revirou os olhos e foi pegar o seu café-da-manhã, pois já eram seis da manhã, nascera um novo dia, diga-se de passagem, muito lindo.

O pai de Yan tinha como características principais os olhos azuis e os lindos cabelos grisalhos, sua personalidade era forte, contrariando à do filho, cuja personalidade era frágil, mas em uma coisa os dois se igualavam, era a beleza, Yan tinha cachos macios e bem comportados, desta vez estava se preparando para o primeiro dia de aula, ele transbordava de felicidade, seus olhos castanhos brilhavam motivados pelo o fato de que em um futuro próximo veria a sua paixão Alice Meirelles. Entretanto neste presente momento estava impaciente revirando o seu quarto à procura de seus cadernos. Passado aproximadamente dez minutos ele finalmente tinha encontrado o seu material e colocou-os na mochila. Agora ele já tinha se dirigido para a fase das vestimentas, no qual pôs uma camiseta azul claro com gola em V e acompanhada de uma calça preta jeans.

Apressadamente deu um beijo em sua mãe e chamou aos gritos o seu amigo Lucas, no qual sem ter conhecimento do paradeiro de sua família abrigaram-no em sua casa. Ele era um menino de cabelo caramelo e de dentes incrivelmente brancos, sua principal característica eram os olhos escuros, cuja expressão era forte e impiedosa. Em resposta a Yan, os gritos de Lucas surpreenderam Nicolle, irmã dele, ela ficou gélida de susto e alertou a ignorância de Lucas.

- Você é idiota? Eu estava do seu lado, não precisa gritar o meu irmão não é surdo. – Nicolle reclamou de forma autoritária. A incrível ação não reprimiu Lucas.

- Que pena, ele já tem tantos defeitos, não iria fazer falta a ele. – Pronunciou sarcasticamente.

Ao ouvir isto Nicolle ignorou a atitude desprezível de Lucas e andou às pressas a caminho da escola, a calma só voltou a aparecer quando ela avistou a sua melhor amiga Fábia que a surpreendeu com seu entusiasmo.

- Amiga! Eu estava com tanta saudade – Os olhos de Fábia fitaram os de Nicolle analisando o seu estranho comportamento.

- Obrigada, eu também estava – A voz dela não transparecia isto.

Fábia franziu a testa.

- O que aconteceu? Você está pálida! – Murmurou estas palavras com evidente preocupação.

Nicolle colocou as mãos no bolso de sua blusa lilás, expressando insegurança.

- Desculpe, não quero falar sobre isso. – Disse com sinceridade

- Tudo bem então. – Os olhos castanhos de Fábia estreitaram-se.

Enquanto isto, após ouvir os comentários de Lucas, Yan escondeu a sua expressão depressiva engolindo saliva. Ele caminhou até a casa de Melissa Campos, a sua melhor amiga, ela era uma menina extremamente linda, dona de lindos cabelos lisos e ruivos, seus olhos cor de mel brilhavam em direção a Yan, cuja ação nunca vista por ele, Melissa estava com um vestido preto e comprido, sua sandália vermelha de salto alto expandia sua elegância, Yan estava surpreso com tanta beleza que distribuiu palavras doces num jato.

- Melissa! – ele respirou fundo – Você está muito linda.

- Obrigada. Você que está. – Melissa abriu um sorriso cintilante cheio de gratidão.

O caminho a escola foi silencioso, com pequenos olhares penetrantes de Melissa admirando a sua paixão, ações sem a percepção dele, pois estava extremamente pensativo, ela percebeu a dura expressão dele recordando-se dos problemas de seu amado, foi então que ela tentou animá-lo.

- Yan anime-se você está prestes a ver a Alice, esqueceu? – Ela disse estas palavras com muita dificuldade, embora transparecesse o contrário.

- Desculpe, estou desesperançado quanto a isso, porque não é correspondido.

Ela virou o rosto e deu um sorriso, cuidando para que ele não visse tal atitude.

- Não esquenta, você vai encontrar alguém que te dê valor.

Ele baixou a cabeça.

- Será? – Sua decepção era expressa em cada palavra dita.

Melissa suspirou.

- É claro… – Hesitou, cuidando para não dizer nada contraditório-… Todos têm a sua alma gêmea.

- É mesmo você está certa. – Yan deu um sorriso e revirou os olhos.

O silêncio perdurou.

Neste momento eles estavam a meio metro de adentrar a escola, Yan e Melissa seguiram para sala, logo depois de escolherem os lugares os dois olharam-se por sobre o ombro, após isso ficaram constrangidos e deram um pequeno sorriso.

Yan já sentira borboletas no estômago só de saber que Alice estara este ano em sua sala, ele escolheu um bom lugar, bem… Para ele qualquer lugar seria bom desde que tivesse uma boa visão para que pudesse contemplar a beleza de sua amada, ela era uma garota incrivelmente linda, desejada por muitos, era extrovertida, e não deixava de perceber que estava sendo admirada, ela remexia os seus cachos negros, e os seus lindos olhos verdes observavam atenciosamente a possível chegada de um professor.

A escola era composta exteriormente de um azul, um azul celeste e magnífico, e interiormente era decorada com um lindo branco vivente, organizada e muito linda, as portas das salas de aula revestidas de marfim deixavam claro que esta escola era indiscutivelmente linda sim.

- Bom dia! – Um sussurro percebido por poucos saíra da boca da professora.

Andou tranquilamente a sua mesa, nela colocou os seus pertences.

- Olá meu nome é Iliana! Minha matéria é física. – Murmurou ela.

Logo após a apresentação da professora, era possível ouvir claramente os cochichos dos alunos que diziam: “Física? Nossa não gosto de Física” ou até mesmo “O nome dela é diferente! Nunca vi um nome assim”. Tendo ciência de tais comentários a professora sorriu e pensou: – Vocês vão se acostumar, não só com a matéria, mas também com o meu nome. – A sala silenciou-se, esperando as próximas palavras a ser proferidas por ela, agora ela estava no comando, o objetivo era cativar os alunos.

- Eu não os conheço ainda, então um por um digam os seus nomes. – Ela sorriu e colocou uma mecha de seu cabelo castanho detrás da orelha.

Iliana era privilegiada por ter uma aparência muito linda, seus olhos eram penetrantes e curiosos, seus lábios eram finos, porém, hipnotizantes, estava com uma blusa amarela e nela estava escrito: ”I Love You”. Todos disseram seus nomes sem problema algum, Yan estava pouco se importando com a aula, ele continuava enfeitiçado pela feição da Alice. Ela se levantou e fez uma pergunta à professora:

- Professora… – As palavras fugiam -… Qual é o seu modo de avaliação? – Perguntou retornando-se ao seu devido lugar.

- Eu procuro avaliar os meus alunos de uma forma diferente. Não agendo provas ou trabalhos, pelo contrário, todo tipo de atividade avaliativa será oralmente. Irei passar textos em lousa raramente, somente quando for necessário. – Proferiu estas palavras pacificamente e analisando o comportamento de seus alunos, colocou as mãos lisas e hidratadas no bolso e caminhou até a porta da sala para atender uma ligação que recebera.

Todos estavam se interrogando de ser qual motivo de ligarem tão cedo, após as indagações todos ficaram surpresos quando professora correu dizendo:

- Existe uma bomba relógio dentro da escola! – O seu tom de voz alto e apavorado era preocupante.

Yan rapidamente se levantou da cadeira, e proferiu palavras rápidas.

- Vamos fugir! Rápido!

A professora correspondeu rapidamente.

- Não temos muito tempo! Não podemos nos esconder e nem se deslocar pela escola.

- O que fazemos então professora? – Yan estava desesperado, o suor já escorria pelo seu rosto, suas pernas estavam bambas, e ele já estava trêmulo.

- Eu realmente não sei! Como disse, não temos tempo. – a professora estava depressiva meio que esperando a morte.

Yan estava em pânico, as lágrimas já caiam, no qual fora enxugadas por Alice que veio ao seu encontro, sentindo-se honrado ele agradeceu aos prantos e sentou-se na cadeira, foi assim, lançando um olhar de desespero a todos que o viam em uma lamentável situação e deixando todos preocupados, a preocupação aumentou quando a mão de Yan começou a arder muito, estava extremamente vermelha, e ele gritava de dor.

Ele sabia que aquilo não era pânico e não tinha ideia ou explicação para o que acontecera, o inexplicável sofrimento piorou quando em vez de ajudá-lo, Iliana olhou-o e ficou sorrindo. – Então você foi escolhido! Era de se esperar, Yan você é uma pessoa muito especial para Deus. – Pensou Iliana, ela correu porta afora dizendo que chamaria um médico, mas ela não o fez.

No tempo em que Yan voltou os olhos para a sua mão, surpreendeu-se ao avistar uma espécie de relógio, objeto no qual se formava com o sangue dele, o grande susto o fez formigar, tremer e o seu coração palpitar, em consequência o relógio foi ativado, e os ponteiros giraram para trás, ele estava caindo em desmaio enquanto Alice e os outros amigos chamavam pelo seu nome.

Ao passo que o tempo se distorcia, o chão tremia, as janelas rachavam, todos em que estavam na sala haviam sumido, somente Iliana, Lucas, Alice e Yan permaneciam no meio deste desastre, em toda história nunca houve terremoto tão grande.

Após a catástrofe houve silêncio, e enquanto Yan despertava, percebeu que as marcas tinham sumido, foi então que ele levantou de forma desesperadora e gritou – Não.

- O que foi Yan? Está maluco? – Ele ouvia as vozes de um modo distante enquanto a professora estava revelando o seu modo de avaliação.

- O que aconteceu com a bomba? – Yan estava interrogando o seu amigo de classe, e enquanto isso ele percebeu também que Alice não estava junto a ele.

- Que bomba? Eu disse que está maluco! Você estava desmaiado aí no chão.

Yan estreitou os olhos, cismado com sua mão. Contrariando segundos atrás, sua mão já não doía mais, “Esse negócio de pânico está me deixando esquizofrênico” Pensou ironicamente, entretanto lembrou-se do que acontecera na madrugada, procurando relacionar aquele fenômeno com a pequena viagem temporal que acabara de fazer.

Foi quando ele percebeu que se for verdade que ele voltou no tempo, então a professora receberia a ligação novamente, dando o aviso tenebroso.

O telefone tocou outra vez, felizmente era só um comunicado familiar, a professora voltou à sala perguntando se alguém teria alguma sugestão de aula, podia ser de quaisquer assuntos, afinal era o primeiro dia do ano letivo e Iliana se propôs a isso.

Em virtude disto, Lucas levantou-se e sugeriu:

- Professora, que tal falarmos sobre lendas? – Após perguntar isso, Lucas olhou para Yan feliz por ele ter se acalmado.

- Ótima sugestão, Lucas. – Concluiu a professora. – Vocês já ouviram falar das Relíquias da Origem? – ponderou ela.

A sala foi coberta por um silêncio extremamente prazeroso, não eram ouvidos nem sequer um cochicho e obviamente a professora entendeu isso como um não e continuou:

- As Relíquias da Origem são elementos cósmicos que vagam pelo universo, deixados por Deus no dia da criação, quem quer que fosse atingido por algumas dessas essências… – Empolgada Melissa a interrompeu. – Elas morreriam não é? – Iliana suspirou e sentou-se em sua cadeira – Não, claro que não, Deus não deixaria algo assassino vagando pelo universo.

- É mesmo professora, desculpe por interrompê-la – Melissa balançou os seus brincos prateados e olhou para Yan.

Presenciando tais cenas, Yan recostou-se na cadeira relaxado.

A professora prosseguiu:

- Quem fosse atingido por isso, receberia um dom.

Impressionado com as histórias Yan a indagou:

- Que tipo de dom? – Yan olhou para Alice e fez um gesto para ela, mandando beijo, disfarçadamente Melissa se roeu de ciúmes.

A professora viu a atitude de Yan e pensou – Que lindo – Foi até a porta da sala e continuou com a história que fascinava os alunos.

- Há três dons conhecidos, que são: Amor, Sabedoria e Vida, há quem diga que existem sete dons, no entanto são desconhecidos.

Soou o sinal, infelizmente acabara a aula, as outras aulas foram as mesmices de sempre: Textos e mais textos, coisa que Yan odiava.

No caminho de volta, a mente de Yan tornou-se uma máquina de pensamentos: ”Aquilo foi real?”; “As Relíquias da Origem existem?”; “Por que a professora sorriu quando me viu desmaiando?”. Para expulsar os pensamentos que lhe intrigava ele persuadia a si mesmo dizendo não. Mas de uma coisa ele tinha certeza: ele pode viajar no tempo de alguma forma, todavia, para ativar o relógio ele deveria sentir emoções fortes, entretanto o problema é que a viagem temporal dura apenas alguns segundos, e a direção é imprevisível, para o passado ou para o futuro, como controlar este imenso poder?

Os pensamentos o fez tropeçar e cair no meio da rua, todos gozaram dele, mas ele simplesmente ignorou:

- Yan! Espere! – Melissa o chamava. – Vamos pra casa juntos!

- Tudo bem, Melissa.

Enquanto ela respirava ofegante por causa da corrida Yan perguntou:

- Melissa… – Houve receio – Bem, eu te conto muitas coisas e você sabe que gosto da Alice, mas eu nunca soube se você é apaixonada por alguém, de quem você gosta?

Ela gelou e virou o rosto.

Era verdade que ela nunca comentara com ele sobre paixões, o motivo é que se comentasse com ele sobre apaixonar-se, ela se declararia impulsivamente, e foi o que aconteceu.

- Desculpe Yan, é que… – Hesitou, procurando as palavras corretas – Eu nunca comentei com você sobre isso por que… Porque eu sou apaixonada por você! Eu te amo! – Ela surpreendeu-se com sua convicção e neste momento o alívio reinou sobre ela.

O coração de Yan deu muitos pulos, e o relógio ameaçou ativar. Foi então que ele entendeu que o relógio só é ativado quando ele sente medo, em outras palavras, uma emoção negativa, encabulado ele disse:

- Melissa! Eu não sei o que dizer.

- Não precisa dizer nada Yan – Ela colocou seus dedos delicados sobre os lábios dele – Quero você ao meu lado para sempre! – Melissa o beijou delicadamente e ele não resistiu.

Surpreendido ele não hesitou em dizer: – Nossa você acabou de roubar meu coração.

Ela sentiu calafrios e suas pernas tremiam de pura emoção. Ela se entregou e disse:

- E você roubou o meu há muito tempo.

Extremamente lisonjeado Yan a beijou.

Pregando um susto nos dois, Lucas apareceu de forma irreconhecível:

- Que lindo! – Ele disse furioso e sarcástico.

- Olá Lucas. – Murmurou feliz por vê-lo.

Lucas deu um sorriso torto e deu um chute forte no peito de Yan, jogando-o na calçada.

- O que deu em você? Seu idiota! – disse Yan furioso levantando um forte soco no rosto de Lucas arremessando-o sobre uma pirâmide de areia que ali estava.

Lucas ofegou.

- Desculpe-me Yan – Novamente irreconhecível ele correu aos prantos.

Pasmo, Yan pediu um abraço forte a Melissa e ela correspondeu de forma confortante, ele voltou de braços dados com ela, chegando a casa Yan almoçou e adormeceu em frente à TV, ele não imaginava o que lhe esperava nos sonhos.

* * *

Em seu sonho Yan encontrava-se em um lugar que nunca teria imaginado, um lugar esplêndido, já não estava com as mesmas roupas que fora pra escola, agora ele estava com vestes brancas e resplandecentes, ao seu lado estava um banquete, o seu olfato captava um cheiro delicioso, era uma comida que nunca tinha visto na vida, quando provou do alimento ele flutuou e gritou – O que está acontecendo? – Quando seus pés tocaram o chão novamente, ele olhou ao seu redor uma paisagem incrível e inacreditável.

Ele estava no paraíso, havia uma ponte no qual levara a um trono, que Yan acreditava ser de Deus, abaixo do plano vivo que estava localizava-se a imensidão do espaço, vira todos os planetas como se fossem uma gota d’água que cai sobre um rio, ao andar para mais perto do trono avistara o planeta terra, um globo azul extremamente lindo, assustado e impressionado ele quase caíra na imensidão, todavia, uma força desconhecida o trouxe de volta ao meio da ponte. Com extrema dificuldade, com as pernas trêmulas e com os olhos cheios de lágrimas dava passos lentos, um de cada vez, ao passo que se aproximava a segurança aumentava, entretanto uma rachadura na ponte o surpreendeu, os destroços da brilhante ponte caíram na imensidão negra e com um grande e corajoso pulo ele adentrou o lugar onde se encontrava o trono.

- Bem vindo Yan – Fez se ouvir uma voz serena e passiva.

- Quem é você? Por causa do teu brilho não consigo ver o seu rosto. – Interrogou curiosamente.

- Eu sou o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, eu brilharei e reinarei por todos os séculos do séculos – O ser luminoso apresentou-se sorrindo e autoritariamente.

- Deus? – Murmurou Yan boquiaberto – Mas como…

- Filho, acalme-se – Disse aproximando-se para lhe dar um abraço.

- Onde estou? Por que estou aqui? – Disse assustado.

- Não tenhas medo, sou o seu Deus, você está em um sonho, um sonho real, esta é a minha morada, acima das nuvens e de todo o universo, morarás aqui, como todos os justos pela eternidade – Explicou amorosamente.

Yan não conseguiu dizer mais nada, e para romper o silêncio ele simplesmente agradeceu lembrando-se das Relíquias da Origem, mas teve receio em perguntar.

Obviamente Deus onisciente disse:

- Filho, pode me perguntar o que quiser, esqueça isso, você entenderá o objetivo destes dons com as suas experiências em vida.

Foi então que Yan sussurrou com claro e bom humor:

- Nossa, tinha esquecido, você sabe os meus pensamentos. – Deu uma pequena gargalhada e Deus o acompanhou.

Agora era possível ver o trono de Deus, ao lado da poltrona celestial existiam tochas de fogo vivo e acima se esvaíam relâmpagos e trovões, olhando mais a frente Yan vira o sol, a estrela maior, a magnífica bola de fogo, o brilho não era nada comparado ao de Deus, mas também era uma experiência de tirar o fôlego.

- Yan, não se esqueça – Pausou apreciando suas criações – Eu te amo – Deus tocava-o delicadamente deixando visíveis a cicatrizes de Jesus em sua mão.

- Eu sei – Ele riu – Fica fácil saber só de olhar para as suas mãos – Yan olhou para trás, procurando o lugar que era descrito na bíblia com ruas de ouro e água cristalina.

Tendo ciência deste pensamento Deus explicou:

- Este lugar que estás pensando, fica logo antes da ponte que agora a pouco atravessara apesar de não poder ver, só após o julgamento irei te mostrar, pois você morará lá como eu disse antes, e outra, um lugar como esse, inimaginável e indescritível pode lhe causar um impacto muito grande, porque este lugar é de natureza espiritual e celestial.

- Ah, agora entendi – concluiu satisfeito com as explicações

E Ele continuou:

- Só lhe mostrei este altar, porque quero que você entenda pelo menos um pouco o amor que tenho por você e pelos os seus iguais. – Novamente amoroso explicou-lhe.

Escorreram-se lágrimas de emoção pelo rosto de Yan.

- Você sabe que este amor ágape, para nós humanos é incompreensível, mas podemos ter uma pequenina noção.

Deus sorriu orgulhoso pelas palavras de seu filho. Yan despertou sem quaisquer memórias sobre as Relíquias, pela falta de experiência de vida a lembrança dos dons só voltará após 10 anos, ele estava extremamente feliz pelo sonho mais real que tivera, empolgado procurou por Lucas, mas não o encontrou, e soube de uma notícia inesperada, cuja era de que Lucas havia sumido.

* * *

Sentindo-se desprezado, abandonado e desvalorizado Lucas correra para a floresta, não era uma floresta nada comum, ela era coberta pelos vestígios da origem, as dádivas reluziam por dentro das gigantes árvores, ali é onde se localizavam as relíquias desconhecidas, de poderes inimagináveis, e sem pensar em nada, Lucas não se recordara dos rumores, as lembranças somente vieram à tona quando ele atingiu o coração da floresta, o Paraíso Negro, de beleza e perigo espantoso, um lugar habitado por cobras e leões.

As lágrimas escorriam pelo seu rosto, Lucas sentia uma solidão terrível, ora formada a fogueira, Lucas fora surpreendido pelos temíveis predadores, havia dez cobras e dezessete leões, em meio ao crepúsculo a esperança pela vida se apagou.

O que fazer? Uma pergunta irrespondível, pelo menos para ele, pois o desespero subiu a cabeça, até que a pergunta recebeu uma resposta, aparecera um homem robusto e cheio de ódio, todo corpo estava coberto por uma vestimenta negra, tal como as roupas árabes, com as mãos chamuscadas e cobertas de fogo, o homem destruíra todos os 27 animais com um só golpe, queimando-os inteiramente.

O homem subitamente entregou-lhe um papel, no qual tinha como título: “A Profecia”. Semicerrando os olhos em meio à escuridão, Lucas fazia um tremendo esforço para enxergar e poder ler a carta, todavia, o homem estendeu-lhe as mãos cobertas de fogo como uma fonte de luz para a leitura, deixando vacilar um pequeno sorriso pelo gesto, ele não esperava isso de um homem tão rude e violento, ficaram visíveis as letras ele pôde ler facilmente, sobre o papel sujo e manchado estava escrito:

“Enquanto estiver vivo, passará pelo fogo, o escolhido terá de vencer todas as provações para poder receber a recompensa merecida, mas não pára por aí, a guerra ainda há de começar”

Terminada a leitura, ele olhou para o homem obscuro, o seu olhar de desespero foi surpreendido pelo golpe que o sombrio acabara de lhe dar, desferindo um soco estupendo, o homem arremessou-lhe sobre os galhos pontudos das árvores que obviamente ali estava próxima.

Impulsionado pela fúria Lucas sustentou-se em um forte e espesso galho e com força admirável esticou o pé com o intuito de acertar-lhe a cabeça, o sombrio desviara, tomado pelo desespero Lucas se lembrara de seu canivete que guardava em seu bolso, soltou as mãos do galho se pondo ao chão, desviando-se quase perfeitamente do golpe do homem obscuro, infelizmente o fogo o queimara de leve e o homem revelou a tal infelicidade:

- Eu o controlava superficialmente, mas agora que te acertei com o fogo, tenho controle total sobre sua mente. – Vociferou sarcástico, o ódio e o sarcasmo extremo consequentemente assustou Lucas.

Incrédulo, Lucas atingiu o pescoço do homem, mesmo trêmulo e com medo Lucas o acertara eficientemente, perfurando e espirrando sangue, o homem tirou a toca que lhe cobria o rosto. – Perdão, Filho – Espatifando-se no chão, o homem sombrio revelara sua identidade.

- Filho? – Disse estranhando a fala do homem – Pai é você? – Reconhecendo-o foi ao seu encontro comovido.

- Perdão… – Pausou arrancando o canivete, flexionado pela queda. – Agora não há mais o que fazer, eu o atingi com as relíquias negativas, Perdão.

- Perdão, digo eu por ter te atacado… – Observou ao seu redor as dádivas reluzentes – Mas o que são estas relíquias negativas?

- Ah, elas são sobras, além das positivas que são: Vida, Tempo, Amor, Sabedoria, Água, Fogo e terra, existem as negativas Ódio e Vingança.

Lucas empolgou-se.

- Minha professora contou sobre essas relíquias, mas eu achei que fossem só histórias.

- Iliana não é? – arriscou uma dedução.

- Sim você a conhece?

- Nossa há muito tempo, eu presenciei o dia que ela recebeu o dom da sabedoria, aliás, você sabe quem é o dono da relíquia do tempo? – Uma tosse rompeu o silêncio deixado pela pergunta.

- Que incrível Iliana tem mesmo algo diferente. – Parou e lembrou da pergunta que seu pai fizera – Relíquia do tempo?

Imediatamente Lucas foi tomado pelas memórias do mundo em que havia uma bomba na escola. Novamente seu pai o surpreendeu:

- Você sabe por que vieram tais memórias? – Interrogou assustando-o.

- Mas como você sabe disso?

Tossindo sem parar, o pai de Lucas, Anderson expirou, ele estava morto.

O que chamamos de impossível acontecera, sobre a mão direita e o peito de Lucas caíram gotas, com as mesmas características das que Yan recebera, sem dor alguma nasceu chamas de fogo sobre os locais atingidos, estranhando o acontecimento Lucas tocou o peito de seu pai com as mãos cobertas de fogo, um milagre aconteceu, Anderson Fontanelli revivera sussurrando – Obrigado, filho.

Houve um lindo e comovente abraço.

Lucas quis retomar a conversa.

- Não entendi, que memórias são essas? Eu não me lembro destes acontecimentos!

- Por isso… – Suspirou levantando-se – Yan dono da relíquia do tempo…

- O Yan? Nossa! – Interrompeu ele.

- Viajou no tempo – Continuou – acidentalmente porque no antigo mundo original, Iliana disse à sala que tinha uma bomba relógio na escola, a viagem é ativada quando ele sente medo – As palavras despertaram extrema curiosidade em Lucas, Anderson coçou o nariz.

- Como você sabe de tudo isso?

- Sou um portador de relíquia, nós compartilhamos estes conhecimentos – Disse atenciosamente.

- Então quando o Yan fizer outra viagem eu saberei? Mesmo sendo em outro mundo?

- Isso mesmo, você é um escolhido, recebeu o dom da vida, você me ressuscitou! E também porque naquele mundo vocês morreram! Consequentemente aquele mundo sumiu, unificando somente esse.

Anderson ficou de pé apontando a saída da floresta para seu filho.

- Entendi, quer dizer que mudanças no decurso do tempo criam outros mundos?

- Sim, mas naqueles mundos o outro eu só são bonecos, por isso sumiu, o mundo original, é o que estamos aqui agora, com a alma unificada ao corpo, a escolha que você faz torna-se única, e o mundo em que você fez outra escolha simplesmente some.

Sem perceberem Anderson e Lucas já atravessavam a saída da floresta, Anderson pegou uma caneta esferográfica e começou a escrever algo, serviu como camuflagem para a chegada de uma pessoa…

Era Yan Lopes, O Menino do Tempo, ele estranhara a companhia de Lucas, mas ao ver que Anderson se afastava cada vez mais, ele simplesmente dirigiu-se a Lucas.

- Lucas! Que alívio, faz três horas que estou te procurando – Murmurou evidentemente preocupado.

- Desculpe amigo, eu me perdi na floresta – Incitou deixa escapar um pequeno sorriso sem jeito.

- Nossa, claro você não sabe dos rumores desta floresta? Tem assassinos aí! – Logo depois que Yan revelou isto, Lucas olhou logo atrás para Anderson e com um simples olhar interrogava-o se era verdade.

E sim, era verdade.

- Ei! – Sibilou Yan e imediatamente Lucas virou-se para ele – Quem é esse homem? – Sussurrou abaixando drasticamente o tom da voz.

- Sei lá, ele me seguiu até a saída!

- E porque ele está voltando para a floresta?

- Ah, ele deve ser um daqueles esquizofrênicos – Obviamente tal insulto não era sincero, era, portanto, seu pai.

Enquanto gargalhavam, Anderson jogou o papel perto do pé de Lucas, felizmente Yan não percebeu, rapidamente Lucas colocou-o no bolso e juntos caminharam a casa, chegando ao lar foram vítimas de reclamações da mãe de Yan, Salete, por causa do horário de chegada, Yan foi banhar-se e Lucas caminhou ao quarto – Acelerando o passo – Trancou a porta rapidamente, pegou o papel em seu bolso e se pôs a leitura:

“Não comente nada sobre a conversa com Yan, nem mencione nada sobre dons, lembra que eu te controlava? Eu te contei, então estou me sentindo culpado, porque eu te atingi com o fogo, a chama dotada das relíquias negativas, você tinha atitudes impensadas, antigamente eu só te controlava pela ligação de sangue, as essências negativas foram passadas a você, agora tenha cuidado, sem sua percepção fará coisas horrendas.”

Lucas lembrou-se rapidamente, assustado guardou o papel em sua gaveta – Suas mãos tremiam, e seus pensamentos eram um tanto quanto fluentes – Apagou a luz e deixara a porta entreaberta, pegou sua toalha vermelha no cesto de roupas, e esperava Yan terminar o banho, para enfim fazer o mesmo.

Passara das dez e meia da noite quando eles terminaram os afazeres, beberam um chocolate quente e se colocaram a cama, Yan revirou-se na cama, adormeceu, mas acordava em meio à noite fria, de tanto insistir e se remexer na cama, ele dormira para um novo encontro com Deus nos sonhos.


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