Primogênita
Ela se vestiu de preto nesse dia, como um eterno luto, uma busca por algo inexplicável que a deixa por vir e que por via das duvidas a julga mais importante que sua própria existência. Como algo tão insólito pode se tornar real e possui-lá? Há sempre esperanças onde queremos que as mesmas se encontrem…
Ela arruma seu cabelo simples e estranho, um jogo de sedução enlouquecente atrás de rebeldia gratuita e algo para reclamar do futuro e falta de oportunidades sem se declarar culpada diretamente por seus pais.
Ela nunca esquece de se maquiar! Sempre é reconhecida a distância pelo borrão que se forma, pois sempre chora ao passar por aquela rua onde já morou, um modo de auto-redenção é sempre bem vindo quando se agoniza…
Era noite de sexta feira, ela estava pronta, apenas esperando na sala seu grande amor chegar. Seus pais aguardavam como se fosse dia do casamento de sua primogênita, o suor frio escorria na cara de seu pai, sua mão mal conseguia parar de tremer, “o primeiro amor de minha filha mais nova está prestes a chegar”, repetia para si mesmo quase que como um mantra. A campainha toca, todos pulam do sofá, o pai vai à porta, a mãe o segue como um vagão por falta de opção atrás da locomotiva, a porta se abre, todos ficam calados por instantes, o sorriso da caçula açoita a vidraça. É ele! Grita sem voz a pequena imagem correndo pela sala em direção a porta.
Ele é convidado a entrar, a matriarca da família prepara um jantar para conhecer tal pessoa, se abraçam quase ficando sem ar, um forte aperto de mão sela o que seria uma grande amizade, mas a mesa já está posta e logo se aprontam para as cerimônias. O pai fica na cabeceira, a matriarca na outra extremidade, a primogênita de frente ao casal apaixonado que de mão dadas por baixo da mesa fazem-se carinhos como juras de amor infinito.
Pouco à pouco um clima pesado toma conta do recinto. A matriarca pede licença e vai para o quarto tricotar, o pai vai pra frente de sua televisão alienar-se por mais algumas horas, a primogênita se perde em pensamentos e vai ao quarto preparar sua criança para dormir. O casal apaixonado fica só na enorme sala de jantar…
Um barulho ensurdecedor entra pela porta da cozinha, o casal se assusta, entre um beijo e outro se levantam para averiguar, mas não há nada na cozinha, além do utensílios e acham por bem fechar a porta para não chamarem atenção dos outros na casa. A porta é fechada a chave mas, o barulho persiste e a sensação de serem loucos aos poucos se torna constante, o barulho não sucumbe as tentativas de silêncio e pouco a pouco parece se aproximar mais.
-Eles estão vindo! Disse a caçula ao seu companheiro. Correram pelo corredor de encontro a sala e lá chegando percebem que o pai não está mais lá. O barulho agora vem crescente pelo corredor, o medo toma conta de todos os sentimentos, novamente trancam a porta num ímpeto de pará-lo. Subiram as escadas como se fosse uma ladeira íngreme, como se lutassem por suas vidas, a sensação de serem perseguidos palpita dentro do peito.
No quarto da matriarca uma neblina paira no ar, dificultando a visão, o barulho já esta ali, parece saber seus passos e prever suas ações, correm pela porta a fechando num estampido seco qual a um tiro disparado, passam pelo quarto da Irma e ela se encontra dependurada ao teto, ao entrarem percebem que já sem vida a primogênita deixara um bilhete mas, não a tempo para ler, o barulho já esta entre eles.
Correr, correr, correr é só o que passa em suas cabeças que ao passarem pelo banheiro descobre já não existir mais na cabeça o progenitor da família. Esperança e fé são o que restou do stress inoportuno, uma gota de loucura passa ao lado dos negros cabelos; o barulho ainda já está no seu encalço. Correr, correr, correr, nada mais pensam em fazer a não ser correr, correr, correr descendo as escadas uma breve pausa na poltrona e uma memória passa entre pensamentos tão rapidamente que não pode ser identificada como real ou loucura mas, o barulho já está ali.
Eles saem pela porta da frente de mão dadas, não esqueceram de chavear a porta, porem se olham e a mão da caçula se abre por cima do bueiro deixando a chave escorregar lentamente ate em sua totalidade cair no profundo abismo do desconhecido. Vergonha e desgraça no que sobrou de sanidade mental fazia as lágrimas escorrerem mas, juraram jamais voltar a casa tomada.
Acender as Luzes
Primogênita
Ela se vestiu de preto nesse dia, como um eterno luto, uma busca por algo inexplicável que a deixa por vir e que por via das duvidas a julga mais importante que sua própria existência. Como algo tão insólito pode se tornar real e possui-lá? Há sempre esperanças onde queremos que as mesmas se encontrem…
Ela arruma seu cabelo simples e estranho, um jogo de sedução enlouquecente atrás de rebeldia gratuita e algo para reclamar do futuro e falta de oportunidades sem se declarar culpada diretamente por seus pais.
Ela nunca esquece de se maquiar! Sempre é reconhecida a distância pelo borrão que se forma, pois sempre chora ao passar por aquela rua onde já morou, um modo de auto-redenção é sempre bem vindo quando se agoniza…
Era noite de sexta feira, ela estava pronta, apenas esperando na sala seu grande amor chegar. Seus pais aguardavam como se fosse dia do casamento de sua primogênita, o suor frio escorria na cara de seu pai, sua mão mal conseguia parar de tremer, “o primeiro amor de minha filha mais nova está prestes a chegar”, repetia para si mesmo quase que como um mantra. A campainha toca, todos pulam do sofá, o pai vai à porta, a mãe o segue como um vagão por falta de opção atrás da locomotiva, a porta se abre, todos ficam calados por instantes, o sorriso da caçula açoita a vidraça. É ele! Grita sem voz a pequena imagem correndo pela sala em direção a porta.
Ele é convidado a entrar, a matriarca da família prepara um jantar para conhecer tal pessoa, se abraçam quase ficando sem ar, um forte aperto de mão sela o que seria uma grande amizade, mas a mesa já está posta e logo se aprontam para as cerimônias. O pai fica na cabeceira, a matriarca na outra extremidade, a primogênita de frente ao casal apaixonado que de mão dadas por baixo da mesa fazem-se carinhos como juras de amor infinito.
Pouco à pouco um clima pesado toma conta do recinto. A matriarca pede licença e vai para o quarto tricotar, o pai vai pra frente de sua televisão alienar-se por mais algumas horas, a primogênita se perde em pensamentos e vai ao quarto preparar sua criança para dormir. O casal apaixonado fica só na enorme sala de jantar…
Um barulho ensurdecedor entra pela porta da cozinha, o casal se assusta, entre um beijo e outro se levantam para averiguar, mas não há nada na cozinha, além do utensílios e acham por bem fechar a porta para não chamarem atenção dos outros na casa. A porta é fechada a chave mas, o barulho persiste e a sensação de serem loucos aos poucos se torna constante, o barulho não sucumbe as tentativas de silêncio e pouco a pouco parece se aproximar mais.
-Eles estão vindo! Disse a caçula ao seu companheiro. Correram pelo corredor de encontro a sala e lá chegando percebem que o pai não está mais lá. O barulho agora vem crescente pelo corredor, o medo toma conta de todos os sentimentos, novamente trancam a porta num ímpeto de pará-lo. Subiram as escadas como se fosse uma ladeira íngreme, como se lutassem por suas vidas, a sensação de serem perseguidos palpita dentro do peito.
No quarto da matriarca uma neblina paira no ar, dificultando a visão, o barulho já esta ali, parece saber seus passos e prever suas ações, correm pela porta a fechando num estampido seco qual a um tiro disparado, passam pelo quarto da Irma e ela se encontra dependurada ao teto, ao entrarem percebem que já sem vida a primogênita deixara um bilhete mas, não a tempo para ler, o barulho já esta entre eles.
Correr, correr, correr é só o que passa em suas cabeças que ao passarem pelo banheiro descobre já não existir mais na cabeça o progenitor da família. Esperança e fé são o que restou do stress inoportuno, uma gota de loucura passa ao lado dos negros cabelos; o barulho ainda já está no seu encalço. Correr, correr, correr, nada mais pensam em fazer a não ser correr, correr, correr descendo as escadas uma breve pausa na poltrona e uma memória passa entre pensamentos tão rapidamente que não pode ser identificada como real ou loucura mas, o barulho já está ali.
Eles saem pela porta da frente de mão dadas, não esqueceram de chavear a porta, porem se olham e a mão da caçula se abre por cima do bueiro deixando a chave escorregar lentamente ate em sua totalidade cair no profundo abismo do desconhecido. Vergonha e desgraça no que sobrou de sanidade mental fazia as lágrimas escorrerem mas, juraram jamais voltar a casa tomada.














hah, essa história é muito boaquando li pela primeira vez pra fazer a revisão, achei muito interessante a maneira que você trabalhou o cenário.os personagens também, foi muito boa a jogada de não dar nome às pessoas, e sim, títulos.são pequeno detalhes que te transformam em uma pessoa de idéias grandes *-*
Estou vendo que nossos escritores estão empenhados; que conto fantástico. Com certeza Marcelo, Você tem seu jeito único de escrever. É ótimo ter você na equipe CSF.Parabéns
E ai Meu velho, ficou ótima a Crônica, como era de se esperar de ti!E valeu a pena esperar pra ler ela toda, pq só aquele preview que tu me matou de curiosidade!Muito boa mesmo, continue postanto pombo!AbraçoF.M.M.
Hail Satan.Otimo texto meu amigo, apropósito, grande trabalho com esse site! Desejo-lhes sorte em sua empreitada!
hahahamuito bom…Perdi a conta de quantas vezes o reli.O mais curioso dos seus contos é que não tens o controle deles…Fico com a pergunta; “será mesmo que ele quis escreve o que me passou pela cabeça”?
Esse é o Drama…Assim cada um se identifica com a história a seu ver….Logo cativaAbraços